CADERNO A

 

 

 

LITERATURA
A voz do silêncio

O livro Você já escutou o silêncio?, da Edições Dubolsinho, é o primeiro livro publicado do pinhalense Alexandre Spinelli

TEREZA DELBIN

FOTOS: DIVULGAÇÃO

O pinhalense Alexandre Spinelli —que mora atualmente nos Estados Unidos, em Saint Paul, capital do estado de Minnesota, estuda na Universidade de Saint Thomaz e participa dos cursos de Psicologia e Inglês com ênfase em escrita— é o autor do livro de poesias Você já escutou o silêncio?, o seu primeiro publicado. Ele possui outros que estão registrados na Biblioteca Nacional, “esperando por editora e por oportunidade”, diz.
São de sua autoria ainda duas peças de teatro, uma história infantil, outra coletânea de poesias voltadas à natureza e seus ciclos e algumas coletâneas de crônicas e de contos.
Alexandre explica que acredita que todas as pessoas que escrevem, mesmo que seja de forma escondida, no seu interior desejam ver seus escritos publicados. “Pode não ser o principal sonho de consumo, mas é um deles, e comigo não é diferente. Tenho tentado publicar há uns dois ou três anos, já enviei material para algumas editoras, enviei projetos para secretarias de educação e outros órgãos, mas ainda não obtive resultado positivo. Então, para minha surpresa, este livro surgiu da maneira mais inesperada possível, quando um editor que conheceu o meu trabalho no Concurso Nacional de Literatura da cidade de Belo Horizonte, em 2007, me procurou e pediu autorização para publicar minhas poesias. E aí está ele”.
Alexandre explica que o livro é uma coletânea de poesias diversas, e que não há um enfoque específico. “Há poesias que falam do simples cotidiano, como tomar um café, algumas divagações sobre a vida e, obviamente, há poesias românticas, afinal, estamos falando de poesias, e o amor é sempre presente. Como diz a última poesia do livro, você vai acabar falando de amor”.
Quando indagado sobre o que o livro representa para ele, Alexandre afirmou que a pergunta era difícil e que as respostas tendiam a ser extremistas, ou seja, corujas ou extremamente autocríticas. “O que posso dizer é que há no livro um pouco de mim, do que escrevi nos últimos tempos. É lógico que, por ser uma seleção, reflete também a opinião e o gosto de quem selecionou os poemas [a editora] mas, sinceramente, acredito que seja um bom livro, de boa qualidade; às vezes meio adolescente, às vezes filosófico ou, pretensiosamente, irônico. O próprio título traz um pouco de tudo, pois pode se tratar de vários silêncios, seja ele do lado filosófico, do romântico ou, simplesmente, do silêncio cansado, por que não?”.

Literatura
O interesse pela literatura surgiu quando ele ainda era pequeno e ouvia os familiares falarem sobre poetas e poesias. “Na minha casa, sempre se falou muito sobre literatura. Desde pequeno ouvia meus irmãos e minha mãe citando Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis e outros. Um dos meus irmãos lê muito e, consequentemente, conversávamos muito sobre os livros e sobre os autores. Mas acredito que foi quando eu cursava o 2º grau no Cardeal Leme que realmente comecei a gostar desse mundo. Lembro-me de quando conheci Clarice Lispector e pensei algo como ‘é isso que gostaria de ter escrito’, ou ‘é isso que quero fazer’. Foi também durante o 2º grau que comecei a ousar algumas palavras escritas em forma de poema. Obviamente, a maioria —ou quase tudo— foi parar no lixo ou ficou perdida em algum lugar, com alguém; e de lá para cá, não parei mais. Às vezes, fico dias, semanas e até meses sem escrever nada; outras vezes, sem ler nada também. Mas geralmente passo horas e horas, dias e dias, escrevendo e lendo”.
Ele conta que já recebeu alguns prêmios por seus textos. “Participei do Concurso Nacional de Literatura da Cidade de Belo Horizonte, em 2007, quando recebi uma menção honrosa. Naquele concurso, participei do evento com a coletânea de poesias Pela Metade é Ar, obra que ainda não foi publicada. Foi a partir desta coletânea que nasceu o livro Você já escutou o silêncio?”.
Além do prêmio já citado, Alexandre ressalta que já teve poemas selecionados para diversas coletâneas que funcionam como forma de concurso. “E ser selecionado para tais coletâneas é, em si, uma forma de prêmio. Algumas dessas coletâneas são da Câmara Brasileira de Jovens Escritores, onde tive poemas selecionados na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos Volumes 9, 10, 11 e 23, e na Antologia Os Mais Belos Poemas de Amor; também tive poemas publicados na Revista Norte, da Arquipélago Editorial de Porto Alegre, e em diversos sites, como no do Jornal O Rebate, do Ministério do Turismo, E-Port do portal Etur etc.”.
Alexandre pretende escrever um livro em inglês, mas tem consciência de que a tarefa é dura. “Quando é para se escrever um texto formal é mais fácil, é possível utilizar o inglês acadêmico, aquele que aprendemos no banco da escola. Mas para escrever literatura, em uma língua que não é a nativa, a tarefa é mais complicada. No entanto, devagar, passo a passo, tenho caminhado nesse sentido também. Aqui, no meu primeiro ano nos Estados Unidos, recebi segundo e terceiro lugares no concurso Poetry for the Mind’s Eye/2010, realizado em Saint Paul, pelo Inver Hills Community College”.
Para o futuro, Alexandre diz que sua principal meta é terminar a faculdade. “Como estou vivendo nos Estados Unidos sem contato com editoras, o meu primeiro projeto é terminar a faculdade o mais rápido possível e da melhor maneira possível. Gostaria de conseguir, durante este tempo, ter um livro lançado aqui também, em inglês, o que é grande desafio e um sonho muito grande. No Brasil, vou continuar como estava e, se surgir algo novo, algum convite, como surgiu para a publicação do primeiro livro, será ótimo. Acredito que meu momento agora pede foco no que estou fazendo, nos meus estudos, nas minhas leituras, nas minhas escritas e sem procurar publicação, no amplo sentido da palavra; mas sempre aberto ao que vier”.
O blog do escritor pode ser acessado no www.alexandrespinelli.com.br.

Sobre o autor

Alexandre Spinelli nasceu em Espírito Santo do Pinhal em 1º de setembro de 1970. Em 1987, terminou o 2º grau e mudou-se para Guaratinguetá, onde se formou sargento da Força Aérea Brasileira (FAB), especialista em Comunicações no ano de 1989, e mudou-se para Porto Alegre. Depois de sete anos, ainda em Porto Alegre, ele saiu da FAB e abriu uma empresa de desenvolvimento de softwares, especialista em banco de dados e Microsoft. Vive nos Estados Unidos desde maio de 2009. O pinhalense já participou de grupos de teatro e foi integrante da companhia De Angelis com peças infantis e trabalhos de Teatro-Empresa; ele fez figuração e foi assistente de coreografia no curta-metragem Pier Blue - De um inferno a outro, em 2006, quando ganhou o prêmio de melhor cena de abertura no festival Casa de Cultura Mário Quintana. Alexandre faz parte do espetáculo, do qual também é criador, Canções do Silêncio, com os músicos Otávio Santos e Carolina Zingler, espetáculo que, criado em 2004, mescla canções e poemas, tendo sido apresentado diversas vezes em diferentes lugares da capital gaúcha.